A noite, as muletas e o livro

Vinho e muletas

Encarei São Paulo de muletas e fui em um coquetel de lançamento de um livro sozinha. Eu tenho isso desde a época da faculdade, eu gostava de sair só e conhecer pessoas diferentes. Colocava a mochila e ia embora… acabava na casa de alguém tomando uma ou indo pra uma cachoeira, escalando paredão, agarrando algum gatinho…
Ontem fui nesse lançamento sem conhecer ninguém. Encostei com as muletinhas em um balcão de livros e fiquei tomando vinho e brincando com os garçons

A amiga

Nesse balcão tinha um livro do Boticelli que eu comecei a folhear. Sem que eu percebesse, surgiu uma mulher do meu lado e começou a conversar comigo.
Depois ela me falou que achou que eu estivesse perdida, que pensou que eu havia errado a data do evento (ela tava se referindo ao evento de moda que teve na noite anterior).
Conversamos sobre vinho e comidinhas que tavam difíceis de passar pela gente e ficamos papeando. Ela parecia que queria cuidar de mim, o que me pareceu meio bizarro, e fez eu me sentir um pouco esquisita: será que eu passo uma imagem tão desequilibrada? Na verdade,isso começou quando o garçom começou a servir tinto e eu já queria me livrar do branco e a melhor coisa é beber o outro rápido para servir o que eu gosto. E ela ficou me regulando de um jeito sutil, sem ser indelicada, mas a preocupação era verdadeira. No final da festa ficou me enchendo de mini mousses e trufas com medo que eu ficasse ou tivesse loca. Ela deve ter uns 46 anos, magra e com cabelos compridos. Depois, uma pessoa dessa mesma noite, o fotógrafo famoso, deu um diagnóstico dela: que ela deve ser muito sozinha. Ela acompanhou a balada, que emendou para um pico bem legal o bar Balcão.
Mas uma coisa ele não viu… ela chegou em mim porque deve ter me achado muito sozinha também.

O fotógrafo famoso

Ele chegou enquanto eu conversava com a minha amiga e me deu um beijo no rosto como se me conhecesse e perguntou: como vc estä? Eu entrei na onda e agi como se ele fosse um amigo de longa data e fui trocando idéia. Logo já tinha uma roda de gente barulhenta em volta de mim e da minha amiga nova.
Nesse ponto, não sabia que ele era famoso, mas sabia que era fotógrafo. E eu tava meio doida de vinho e quando isso acontece tudo está muito bom.
No bar que eu percebi que ele era famous e que deve ser de leão ou algum signo que “só dá ele”.
Eu geralmente não gosto de cara muito falantes e ego. Homem que fala muito parece mulher, sei lá. Ele fala…
Só que naquele público tava todo mundo na maior atenção ao que ele falava e meio que reverenciando. Eu acendia meu malboro light e me perguntava o que eu tava fazendo lá…
Mas ao mesmo tempo eu senti que eu tava me prendendo, não tava ouvindo direito as pessoas. Isso é um exercício, ouvir. Eu tava sem paciência… por isso que quando essa galera foi embora eu dei um beijo na boca do fotógrafo famoso pra ele ficar quieto.

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