Crise de identidade sexual

A minha progressiva não firmou e fui em outro salão. Cheguei com uma amiga que frequentava o lugar fazia tempo. Uma menina loira de olhos azuis abriu a porta. Os cabelos lisos amarrados no alto da cabeça enquanto ela varria o salão, ela tem duas tatuagens femininas de fadinhas no ombro. Usava uma mini saia jeans, rasteirinha e uma regata fininha de alcinha. A pele branquinha com um blushizinho leve…

O salão era lindinho, parecia um cenário do Almodovar, paredes amarelas, azuis e laranjas. Sofás pretos, uma fonte com peixinhos e até uma gaiola branca com periquitinhos ( sabem que eu não curto), mas dava ao lugar uma aura muito filme espanhol.

No começo ela estava desconfiada , distante, depois começamos a conversar, dar risada. Mas eu notei que algumas coisas que ela falava eram meio diferentes, como um dialeto.
Foi aqui que minha amiga contou: ela é transexual. Nunca, nunca eu diria.
Enquanto ela mexia no meu cabelo prestei atenção nas mãos dela, eram grandes. Mas isso não bastava, o toque e o jeito que as mãos se moviam eram de uma menina.
Enquanto eu tentava me recuperar da minha falta de percepção de não enxergar que alguém não era do mesmo sexo que eu, chega a dona do salão.
Ela vestia um vestido de algodão com estampa de zebra, um baita decote lindo nas costas. Magra, alta, cinturinha, extremamente feminina, e transexual.

O que me pertubou e fez refletir bastante é: onde eu perdí a minha mulher? Os vestidos com decotes estratégicos, o blush no rosto desde cedo, as unhas feitas, o modo de agir, vestir…
E na volta pra casa da minha amiga, onde íamos almoçar e tomar um vinho, eu dividia essa angústia com ela: que achava as moças do salão mais mulheres do que eu.

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Um comentário em “Crise de identidade sexual

  1. Como eu havia falado com você anteriormente, este é um Leão que eu domo todos os dias, ou tento, porque tem vezes que eum me doma é ele! Sempre fui muito moleque, ás vezes estilo surf, mas enfim, nunca muito vaidosa. O problema é que na flor da idade, a beleza é natural, não depende muitos destes cuidados, mas depois da balzaquice, agente começa a questionar estes hábitos… E tenho tentado buscar esta feminilidade que eu sempre pensei ser inútil, para mim desnecessária. Acho que tudo piorou muito depois de eu ser mãe de dois moleques. Tenho testosterona impregnada em mim. E da mesma maneira que você, me pego ás vezes com invejinha de uma mãozinha bonita e bem feita.

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