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Final de tarde fui andar na praia. Lotadésima, é época de férias, e andando na beirinha minha preocupação era com o chão: evitar os buracos que os farofas tatu deixam.
Fui pensando muito, o que foi legal. Acho que foi a primeira vez que eu aproveitei uma caminhada como a maioria das pessoas fala que deve ser, relaxante, pensamento leve…
O único ponto negativo foi notar que a minha praia mudou muito rápido. Quando eu caminhava quando era pequena encontrava milhões de conchinhas rosas, e meio que ignorava por serem tantas, preferia as bivolvas, cor de madrepérola.
Não vi uma conchinha sequer, só um peixão morto faltando pedaços e sem o olho, que devia ser imenso pela cavidade orbital.
Minha tia avó e meu avô contam que nadavam com os golfinhos pertinho…
Como será a praia quando minha sobrinha estiver com minha idade caminhando, que nem eu hoje?

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finito

O desânimo está grande hoje. É como uma grande ressaca mental, um saco cheio da vida, uma vontade muito grande de passar o Ano Novo sozinha.
Parece que eu não me encaixo em lugar nenhum, que o ambiente familiar me sufoca, que eu to sem ar.
Espero que isso seja reflexo de final de ano. Um ano difícil, com mudanças bruscas, adaptações, grandes decepções, descobertas e muita amizade verdadeira também. Foi um ano que eu pela primeira vez me reconheci como a profissional de ponta que eu sou, adquiri confiança. Foi um ano também que tive alguns amorzinhos, e vi que prefiro continuar sozinha, não está na hora de compartilhar minha vida com ninguém.
O mundo tá aberto, é uma grande piscina azulzona que eu posso pular de cabeça e ir pra qualquer lugar do mundo, trabalhar com o que eu tiver vontade…
To no ápice da vida e não quero perder nenhum momento.

TUDO E NADA

Andei de braços dados com o Alain Delon de um lado e o garçom loiro da Samantha do outro. O que eu faço? Não dá pra ficar com os dois, já são 4 horas da manhã…
Se eu tivesse 20 anos, seria uma noite memorável, em que eu estava com os dois caras lindos de morrer competindo pela minha compania.
Fico com o Alain Delon, afinal já experimentei o Jared e beijava com gosto de canja de galinha de hospital. E afinal, o Delon é da família.
Faz muito tempo eu paquero o Jared. Logo quando eu cheguei e percebi que meu caso disfuncional não estava, resolvi investir no Jared. Loiro, alto, forte, peitos de aço, loiro , sorriso lindo.
Minha irmã falou que eu não ia gostar. Como a louca sabe que ele ia ter beijo de canja de galinha de hospital sem encostar nele?
Convidei ele pra sair com a frase mais direta possível, fruto da mente descomplicada de um homem bem resolvido.
– Qual é o teu nome? Quer sair depois comigo, que horas eu passo pra te pegar?
Passei depois e levei ele comigo. Definitivamente, não posso mais voltar lá.
Sentamos pra tomar uma cerveja , acho que eu que dei um beijo nele e fiquei triste ao constatar que ele era insonso pra mim. Será que eu não dei oportunidade suficiente pra gostar um pouquinho do Jared? Acho que ele é tímido, não conversava muito e eu não tive assunto nenhum com ele. Estava esgotando meus “temas superficiais comuns de uma conversa com estranho”.
Daí chega o Alain Delon e tudo vira uma confusão…
Delon consegue animar aquela hora, contando histórias de família e com aquele olhar de menino que eu ainda acho nele, mesmo ele tendo se tornando uma pessoa de caráter duvidoso.
Vou pra casa dele e durmo. E penso: não tenho mais idade pra essa merda.