Não fale com estranhos

Começou assim, esperando pra atravessar a rua um homem começa a falar sobre paixão. Paixão é uma prisão, diz ele… Entre nós estava um senhora que apressou o passo para fugir daquele monólogo estranho e pessoal. Sobrou eu , que imediatamente virei a ouvinte daquele homem de meia idade.
Ele explica que está apaixonado e foi traído, e a mulher estava arrependida e o queria de volta. Durante uma quadra inteira ele me explica seu dilema. Ele não sabia o que fazer, ela gostava do dinheiro dele, ele dava dinheiro pra ela ir embora de vez…Me despedi e atravessei outra rua desejando boa sorte. Ele segue…
Cheguei ao meu destino, o banco. Odeio bancos, explicava pra minha irmã outro dia, que eu seria uma pessoa extremamente infeliz se trabalhasse em um banco. As paredes de concreto, o ar impessoal, contas e mais contas, números, hora para chegar, hora para sair. Odeio rotina.
O banco aquele dia estava atrasado para abrir, todo staff estava em reunião. Faltava 10 minutos para abrir, o suficiente pra eu dar uma volta e respirar o ar de fora daquele lugar insuportável.
Sentei em um café e pedí um suco de laranja. Enquanto isso, acendi um cigarro. Uma senhora magra, bem vestida, com um carrinho de feira antigo pede para se sentar.
Começa a mexer freneticamente tentando consertar o carrinho, que estava espetado de pregadores de roupa nas dobradiças do encaixe. Quer ajuda? Não, vc já foi muito gentil de me deixar sentar para arrumar esse carrinho. Ela emenda com o relato de um encontro que ela teve minutos antes de sentar na minha mesa: Sabe, encontrei um amigo meu, um senhor distinto que era amigo do meu finado marido, perguntei do filho caçula dele… e ele me diz que o filho morreu de overdose. Coitado…
Odeio ouvir esse tipo de coisa, mas a encorajei a desabafar. Ela continua: ele me diz que não perdoa o filho, tem mágoa por ele ter morrido desse jeito. Sabe a gente tem que deixar, os desígnios de Deus, eles sabem o que fazer…
Olha, tenha um maravilhosos ano minha filha, eu não gosto de gente feia sabe? Gosto de conhecer gente bonita que nem vc! Tchau!!
E lá vai a senhora com seu carrinho sem nenhuma feira por perto.
Vou pra casa, almoço e saio de novo. Foi o típico dia que eu não produzi porra nenhuma cuidando de funções de porra. Não amigas, não é homem. Aliás, não quero falar sobre esse assunto hoje.
Fico em uma fila do caralho pra tratar do meu celular que está defeituoso. Um bando de gente louca se amontoando dentro do aquário 2 por 2 da lojinha autorizada. Fiquei do lado de fora onde eu avistava o visorzinho da senha, tinham 10 pessoas na minha pica frente. A moça que guarda carro passou e elogiou minha tattoo, eu dei um sorriso. Eu já estava enlouquecida e queria acender um cigarro ela passa bem na hora . Amiga, ela diz, deixa que eu acho fogo pra vc! Nessa hora minha senha aparece , entro pra detectar que a minha espera foi em vão. As caipiras de merda onde eu comprei meu celular não colocaram data na nota fiscal. Só podia ser daquela cidade de merda, queria que tivesse tido uma epidemia de febre maculosa lá, não um simples surto. Matasse todos!
Saio de lá, dou dois cigarrinhos pra minha nova amiga que pergunta meu nome: Captain digo eu. E vc? Valquíria é meu nome.

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2 comentários em “Não fale com estranhos

  1. Faz uns 5 ou 6 anos. Eu estava arrumadinha num ponto de um ônibus que só passa de horas em horas. Bom, cheguei lá sozinha e apressada. Do nada um cara totalmente tomado por psoríase chega na intensão total de ficar falando comigo. Meu! era do couro cabeludo até a sola do pé, que eu ñ vi mas sei que tinha, estava no grau mais punk do negócio… e foi… “Tá com medo? Isso ñ pega ñ!…”.Falei que eu sabia que ñ pegava. Ele ainda: “Sabe faz tanto tempo que eu ñ tenho uma mulher, só de falar até me dá uma coisa”.O engraçado é eu estava meio deprê, me sentindo uma das pessoas mais sozinha e sem homem do mundo.Falei que ñ era só ele que sentia isso, total naquela ‘vibe’surreal, nessa hora, que ele me distraiu, o raro ônibus nº 5 passou e eu perdi. Fiquei puta, o cara desapareceu e eu fui pra outro ponto mais farto. Essa estória …sei lá, foi simbolica :|Ami ;>

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