Calma, calmate…Avós odiosos ( pequeno parenteses)

No friozinho, enchí a cara de pizza. Meu pai pediu de um restaurante aqui perto de casa porque tava com vontade de comer a pizza de lá. Tentamos mudar de restaurante para as pizzarias que vendem a 10 reais, já que ele e minha mãe arcam com a despesa de uma casa com dois idosos, sendo uma com alzheimer. Os gastos que eles tem são muitos, com medicamentos caríssimos para retardar a degeneração cerebral de uma cabeça maléfica.

Ele pediu tres sabores de pizzas a seguir: uma inteira de mussarela, calabreza e moda da casa.
Indo para o meu terceiro pedaço de pizza, fui pegar a “moda da casa” , que é a especialidade do restaurante e tem pequenos pedacinhos de presunto picados com cebola cobertos com uma fina camada de mussarela.

Ao mesmo tempo que fui pegar o pedaço, meu avô coloca no prato dele o último derradeiro pedaço. Meu pai percebendo o meu movimento, me diz: – filhinha , a ” moda ” já era…

E imediatamente, pega a metade do pedaço do prato dele para mim. – Não pai – digo- eu pego uma de calabresa. Ele e minha mãe ficam querendo resolver, ela quer pedir mais uma, ele quer me dar o pedaço dele…

E o meu avô, corta calmamente o seu pedaço de “moda” e engole tudinho, como se nada estivesse acontecendo.

Algum tempo atrás eu poderia ficar chateada, mas depois do episódio do chocolate eu já sabia do que o meu avô era feito.

O episódio do chocolate:

Uma das sobrinhas do meu avô sempre dá presentes caros para a nossa família nos finais de ano, um único presente representativo que podemos dividir. Bombons e chocolates finos, cookies amanteigados…esse tipo de coisa.

No final do ano passado, ela presenteia a família com uma caixa de ferrero rocher. Nem é o meu predileto , mas tava afim de comer. Os bomboms sumiram rapidamente e perguntei para todos da casa onde estavam, minha avó com alzheimer falou que tinha no quarto dela. Perguntei para o meu avô que responde que ela está enganada, não tem nada lá (seco).

Insisto mais uma vez, e ele nervoso diz – tá bem tá bem , e diz meu primeiro nome por extenso e me dá um bombom, fazendo uma cara de ódio que me machuca, me estranha, e faz subir a tona, quando le fogne si aprono… e fez subir toda a merda do passado, e entender como eu nunca havia entendido, porque ele colocou na rua, em uma noite de chuva seu próprio filho, sua nora e suas tres netas , eu com 8 anos,e minhas irmas respectivamente com 4 e 3. Devolvo o bombom, e digo obrigada. Um obrigada que ele nunca vai entender o real significado.

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4 comentários em “Calma, calmate…Avós odiosos ( pequeno parenteses)

  1. Nossa Ale, vi tudo isso e tbm fiquei queita. Vc sabe q amoda era para a gente ne: o pai pediu mussarela pq disse que o avô só come essa…nao come outra, e os malditos comeram tudo. Se eu soubesse q a caveira ambulante pegaria eu deixaria para você. Simplesmente lamentável a atitude das pessoas no final da vida. Concordo com a Dea, coisa cara e gostosa assim tem que comer escondido. Vamos pedir outra pizza dessa e eu pago uma inteirinha pra você ta? vagabundo esfomeado…

  2. Feridas Alê…tem feridas que simplesmente não cicatrizam…mas te digo uma coisa, a nossa optica muda muito ao longo da vida. Procure marcar estes fatos ever como vai encherga-los daqui a uns 20 anos…tudo muda.

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