Um dia fora da minha vida (Parte II)

Cheguei em casa com um mal humor crescendo, crescendo e que foi talvez, consequência de sentir que não havia feito nada o dia inteiro. Isso foi somado ao saber do cancelamento do meu convênio de saúde e toda a burocracia maluca que isso ia render.
Meu namorado passa cantarolando e eu vou me enervando. O telefone totalmente descarregado me impedia de falar com as pessoas de merda que deveriam resolver meu problema. Eu tentando me explicar sem perder a calma e o telefone apitando sem bateria. O meu ódio voltou contra a pessoa que ficou em casa o dia inteiro ( trabalhando), mas deixou a merda do telefone fora do carregador. Ele me convida para acompanhá-lo na rua, na conclusão do trabalho dele, e eu, estourada e descompensada falei que ia ficar tinha que trabalhar e bla bla bla.
A velhinha de 90 anos que tem poderes mágicos me liga, e tira toda aquela irritação e amargura com a mão, só de falar com ela meu coração se enterneceu de novo e a bitch foi embora.
Ligo para ele e inicio o telefonema com a palavra: “ desculpe”. Peço para ir junto- gostaria muito de te fazer compania.
Começa minha aventura, estar na pele e na profissão de outra pessoa, acompanhando como a namorada, sendo uma pessoa totalmente anônima.
Começa em um prédio simples perto do canal 4. Como muitos prédios de 3 andares em Santos, foram descaracterizados. Entrando no prédio, pela garagem que nesse prédinhos é conjunto com a entrada, o chão é todo de pastilhas coloridas, material que é uma fortuna hoje e o chão repleto….Na entrada para os apartamentos a descaracterização do mal gosto, o revestimento original substituido por um azulejo imitando tijolinhos marrons horríveis. Mas, entrando no hall que leva a escadaria , linda surpresa ao ver aquelas escadas típicas da década de 60 que eu amo mas não sei o nome desse tipo de revestimento ( fico devendo aqui) .
Bom, batemos na porta do apartamento onde abre a porta uma senhora com cara de poucos amigos e nos manda entrar no quarto, onde ele ia instalar o computador que ele estava entregando consertado. Enquanto ele instala, eu não tinha mais o que fazer, a não ser observar o ambiente. O apartamento inteiro parecia improvisado, cheio de coisas entulhadas, pequeno espaço e um cachorro desesperado latindo. Não agüentando o desespero canino, digo para a mulher que ele não precisa estar preso por causa da gente e ela o solta. Puta arrependimento porque o cachorro tadinho é um tremendo descompensado, trepando na perna do meu namorado, estuprando-a desesperadamente. Pobre Alberto, naquele apartamento pequeno e caótico, deve sair para passear raramente e virou um freako total. Saímos do apartamento, sem ninguém ter oferecido um copo de água ou uma cadeirinha para sentar enquanto ele finalizava o trabalho. Apenas um pau duro de cachorro na perna, essa foi a única gentileza.

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