A CIDADE DA RAINHA DE COPAS E OS INSANOS DO SEMÁFORO

Eu tenho medo de loucos. Sempre tive, Piorou quando uma louquinha magrela e com a boca toda desdentada, e o que restava na boca eram fragmentos pretos de dente tentou me morder. Ela ainda segurou no meu braço, e ia me morder mesmo. Ela abriu aquela bocarra mostrando os dentes podres e deu um impulso, lembrando um bote ou coisa parecida.
Estava esses dias o transito e vi uns homens vagando entre os carros, e me lembrou aquele filme trash resident evil . Eles não andavam entre os carros, eles vagavam, com os olhos estatelados, eram corpos desprovidos de almas. Identifiquei uma loucura ali. Meu mino que tava do meu lado, comentou que esse era o ponto do semáforo dos loucos, e explicou uma história maluca sobre um programa da prefeitura da Rainha de Copas em que soltavam os louquinhos.
Enquanto ele me contava , uma senhora atravessava na faixa de pedestres, com um rosto apreensivo. Ela olha pra mim e balbucia: “ Fecha o vidro…” e faz o gesto de fechar o vidro com a mãozinha. Imediatamente, meu medo de loucos obedeceu a senhora…
“Porque vc fechou o vidro?” diz o meu homem ofendido “ Fechei porque acho que o louco pode agarrar meu pescoço” e ele responde indignado: “ Tá louca que isso ia acontecer! “
Mas com loucos, todo cuidado é pouco…

Anúncios

A CIDADE DA RAINHA DE COPAS E SEUS HABITANTES

Em uma cidade demarcada por canais, os habitantes desse reino se identificam pelos canais que passam perto de suas casas. E ontem, tomando uma cerveja e vendo um jogo de futebol na casa de típicos habitantes desse reino, um carinha pergunta ao outro: “ Mas, vc é de onde?” E o outro responde a numeração do seu canal.
Parece besta, mas perguntar de onde o cara é dentro da cidade é esquisito pra mim…
Se estivéssemos em outro estado, o cara tivesse sotaque baiano ou caipira…Mas ele tem a típica acentuação do Reino da Rainha de Copas.
As ondas do mar e o céu azul fazem daqui um lugar lindo… As pessoas ajudam a colorir. Meninos de bicicleta passam com grandes cabelos rasta, outros com pranchas correndo pra avenida da praia.
Uma história que ouvi ontem bastante escatológica. O filho de um homem riquíssimo da cidade foi para Maresias, e no meio de um almoço de familia, onde se encontravam várias pessoas, pediu para ir ao lavabo. Entrando no lavabo, e suando frio, constatou que não tinha vaso, só uma piazinha. Sobe na pia e inicia um cagão frenético.
A dona da casa, uma mãezinha atenciosa, bate na porta pra dizer que está sem água o pequeno lavabo, pra ele ir ao outro banheiro. Tarde demais… era bosta escorrendo na pia inteira, espirrada no azulejo e ele todo cagado.
Derepente ele tem uma idéia pra se livrar daquela situação: abre a porta do banheiro com a calça arreada e vestindo a cueca cagada, corre pela sala em volta da mesa , e perante os olhares embasbacados das pessoas começa a pular e gritar:
To louco! To louco!
E sai porta afora correndo pelas ruas e desaparece.

Os limites

O ritmo de cada um. Respeitar o ritmo é complicado, na verdade, o mais difícil é identificar o ritmo pra cada situação.
O ritmo de um relacionamento por exemplo, esse é o mais confuso. Envolve coração, paixão, expectativas e esperas.
O compromisso ta firmado. Tem o sentimento e a vontade de ficar junto…
Mas, quando é a hora de…

O alemão e a família

A família é uma coisa fantástica. Indivíduos ligados pelo sangue, com idéias, moral, e perspectivas totalmente diferentes das suas, ali, juntos ou não, ligados pelo sangue.
A minha avó ta com alzeimer. Ou seja, o cérebro dela está se tronando um mingau aos poucos, segurado por medicações pesadas.
Não vou ser hipócrita porque ela está doente, ela sempre foi uma chata. Eu e minhas irmãs, odiávamos ir pra casa dela: “ Tira o pé do sofá, não come na sala…”.
Teve um episódio que foi o meu primeiro surto acho eu, e mais tarde entendí do que eu era feita.
Uma vez com 7 anos de idade voltando da escola, minha avó foi me buscar com uma amiga chamada Neanver que tem a voz mais estridente que uma arara dando o cú.
Na variant, no banco de trás, tava eu, fazendo alguma coisa que eu não lembro, mas que tava incomodando bastante as duas. Dái que a arara do cu aberto fala: “ Caçula, bate nela!”, foi quando a mão dela encostou na minha boca .Mordí, mordí até dar aquela tremidinha na mandíbula.
A Neanver gritava ferindo meus tímpanos e eu me irritava mais e mais.
Chegando no prédio de três andares onde morávamos, estava minha ,mãe e a avó boazinha, pra onde corri, me agarrei nela e disse que não gostava da outra avó, só gostava dela…
E a confusão foi grande… Me arrependo disso mas não me culpo , era criança.
Ela sempre teve bastante amigas e as escutava muito. Ela era uma mulher linda. Mesmo agora com 80 anos é linda. Agora que ela está debilitada, cérebro falhando, cadê a arara filha da puta da Neanver? A inconveniente que vinha todo domingo a noite na nossa noite de família filar bóia e de mão abanando?
Cade a Sonia esteticista que ela encheu de presentes a vida toda? Cade a porra da Ermelinda? Cade todas?
Quem ta do lado dela é a família. Minha mãe que ela sempre maltratou, as netas que ela deixou sem casa e o filho sem emprego e foi passear na Europa com um bando de parasita sangue suga.
A loucura disso tudo é que depois de tudo que passamos nas mãos dela, estamos cuidando dela. Com muito amor, sem mágoa, sem rancor. E essa velhinha que ta La em casa, melhor amiga do gato banguela , é a pessoa mais doce que ela já foi na vida toda dela.

O MEDO

Queria falar sobre o medo. A gente cai , levanta, cai, levanta, sai capengando e assim vai.
Sempre achei que meu couro tava mais grosso, mas ultimamente to sentindo medo.
Porque eu sei a dor de cair e levantar, já passei por isso mil vezes, e não me tornei refratária, resistente, me tornei medrosa de vivenciar isso de novo. Não sei se agüento mais uma merda.
È isso.

Mina tem que ter culhão

Estou sendo avisada:
Se controla, tenta agir mais como mulher, vc tem atitude de homem. Homem gosta de mulher bobinha, naive.

Saio, e tenho um date em que me divertí muito, com um menino muito meigo.
Cara de índio, corpo de surfista, cheiro bom…

Muita afinidade e coisas em comum. Ele também pensa que a vida é que nem pegar onda, vc passa aquela puta rebentação que te deixa fatigada, pra depois ter aquele folego reservado pra remar pra pegar uma boa onda. Daí cair e remar de novo, e passar a rebentação. Foi engraçado ouvir alguém dizer um pensamento muito meu.

A nossa feijoadinha…

Fui lá ver se ela estava boa, uma visita para um doente é revigorante.
Na última vez que eu fui vê-la, ela ficou muito animadinha! Deu um miadinho de oi e fez carinho na minha mão com a cabecinha dela toda machucada.

Pergunto se ela está melhor, e a resposta é : ” tentei te ligar faz tres dias, ela não resistiu…”

Fiquei tão chocada que não chorei. E 1 minuto depois quando veio o choro eu segurei, disfarcei, e o meu querido amigo que cuidou da feijoadinha deve ter visto as lagrimas nos meus olhos.

A feijoadinha gostava de tempestade, vento no rostinho, chuva na cara. Os lindos olhos laranja na carinha preta molhando todo o bigodinho.

Ela nunca tava bem, sempre com alguma coisa. Dessa vez foram feridas horríveis, desfigurantes, eu tratando e me sentindo impotente.

No dia em que eu e minha irmã ficamos doentes, ela tava agonizando, o coraçãozinho arrítmico, denunciando uma coagulação intravascular disseminada, resultado de uma infecção horrorosa.

A Keké deve ter recebido a feijoadinha. Imagino ela chegando, toda tímida olhando pros lados, caminhando meio cobrinha. E a minha Keké recebendo ela falante, junto com a Morgs e todos bichos lindos que eu tive e me tiveram ( Grace, Fernanda, Princesa, Renato xaninho, Robi e Charlie (gatinhos menudos), Dorinha, Neguinha e Maitê pra todas dormirem juntinhas e enroladinhas.