Pedido ao coelhinho

CENSURADO

Anúncios

A terra da Rainha de Copas e o pinto turbinado do jogador de futebol

O lugar que eu vivo, a cidade, parece que tem ácido lisérgico na água. Uma pessoa de fora me disse uma vez que nunca tinha visto uma cidade com tanto louco como a minha. Na época eu nunca tinha vivido em outro lugar, não tinha parâmetros de comparação, não entendi muito essa opinião dela, me senti um pouco ofendida até, mas, como pessoa curiosa que sou, comecei a olhar mais atentamente.
Agora, tendo vivido em outros lugares, confesso. Aqui tem muita gente estranha…
Até os estrangeiros que vem morar aqui adotam um comportamento bizarro, excêntrico …
Foi hoje, depois da academia, de filar um café da manhã na casa dos meus pais, fui ao Banco. Como madruguei hoje, ainda faltava 20 minutos para abrir. Fui na farmácia em frente comprar algumas coisas para a gata stigmata. Eis que entra um homem, negro, muito alto, colar de prata, calça xadrez, mangas compridas, estilo jogo bola, ou seria muito afim de jogar.
Entrou xabu, cumprimentando os funcionários, falando alto…
Na fila do caixa ele estava na minha frente e brada: Cade meu Viagra?
Bem, pensei que era brincadeira, e eis que a funcionária responde: está aqui…
E junto, desenrola uma dúzia de camisinhas.
Ele coloca tudo numa nécessaire preta, abre um celular dourado e preto lindérrimo e saí. Daí penso, grandes chances desse cara ser da bola…
Não resisto e na minha vez e brinco com a funcionária do pedido de Viagra do moço…e ela diz, esse cara é jogador, o André Luiz, jogou no Santos… È assim mesmo, muito jogador compra Viagra com a gente….
Alguém tem que contar pra esse bofe, que ele não precisa impressionar uma mina com a pica dura initerrupta dele, é só mostrar a conta bancária que ela dá o cuzinho, a orelha a buceta, e fura com alfinetinho as camisinhas dele pra fazer um filhinho.

  • A minha barriga. Tenho uma saudade dela… Ela era reta, tinha um risco no meio. Eu podia estar de biquíni e sentar, não dobrava nada, não sobrava nada.
    Minha barriga era seca e linda.
    Hoje eu sento e ela dobra. Tem dois riscos, um três dedos acima do umbigo, e um antes de iniciar a virilha, que é a própria barriga se dobrando.
    Hoje foi um dia admirável, um dia em pró de ter aquela barriga de volta. Fui na fisioterapia, na academia, corri na esteira, lindo.
    Saí da academia e fui buscar o carro no posto que eu deixei pra lavar. Ligo pra minha irmã, e ela diz, vem aqui tomar uma cerveja…
    Compro stellas, um pacote de pringles e vou pra lá numa terça feira. A barriga ta mais inchada do que antes nessa hora que escrevo e penso: de onde eu tiro forças pra ter uma disciplina espartana e negar um convite doce desses?
    Essa é o dilema… colocar a barriga acima da cabeça…

A ovelha negra

A história de uma mulher e um domingo.
A saga começa no sábado. Ela vai na praia sem nenhuma ambição, apenas de mergulhar no mar e tirar o mofo da semana deixando o corpo salgado e com um tom mais saudável.
Lá , encontra pessoas, sempre encontra. Uma delas colocou uma interrogação que estava aparentemente esquecida a corroer o coração que estava enganosamente adormecido .
O pai do Crush fala no filho seguidamente. Dói ouvir dele, realmente não foi superado.
A interrogação no coração começa a ficar mais pontiaguda, porque ela imagina que ele tenta passar mensagens em relação ao Crush… Até em neto desejado fala…
E o coração começa a ficar pequeno, incomoda.
O espírito inquieto dessa mulher não vai metabolizar isso numa boa, não vai…
“Maresias final de semana que vem? Vc vai? Vou falar com as crianças, com o Crush pra ele ir…”
E o coração dói mais uma vez.
O sábado a noite foi controlado, em casa, solitária e feliz. Passou um pouco de incômodo porque o coração a fazia lembrar que esteve in Love recentemente, que amou, do jeito dela, e não deu certo, onde tudo era para dar certo, porque tava tudo muito bom, de um jeito que é muito difícil encontrar, e acabou, quando não se esperava, e quando precisava continuar…
Olhos azuis, mãos de homem menino…
O domingo chega. A praia , água e a informação , ela tem que ir na casa dele, tem uma festa lá. Nunca mais ela voltou depois que acabou. Mas ela deve ir, ato de mulher, coragem, as famílias são amigas. As coisas não podem mudar, ele não pode tirar isso dela.
Sem saber o que ia encontrar pela frente ela vai. Chega e sente que treme um pouco, está desconfortável. Merda.
Ele estará lá? Está com uma namorada? Não está?
Ele não está, e o que era um alívio vira um desapontamento. Cerveja, carne, boas companias… A vó dele pede um beijo, diz que a adora. Ela tem o olho azul do neto…
O coração volta a doer.
Lembra cada canto da casa que eles deram um beijo, que ficaram juntos, a escadinha que eles subiram, uma das melhores noites da vida dela. As milhares de ligações dele no celular dela, quando ele tentava evitar o inevitável, que eles se apaixonassem…
Ela vai embora, se despede, deixou uma boa impressão como sempre.
Pega o carro, se sente melancólica, dirige triste. Liga o rádio. Toca a música perfeita para o momento, e consegue transformar a tristeza em uma necessidade de sobrevivência…
And I m gonna miss u like a child miss her blanket…
Desvia o rumo. Vai para o quadrilátero, onde tem muito homem por metro quadrado. Lindos e vazios, e senta no bar sozinha. O barman já sabe o que ela quer e serve a cerveja predileta dela.
Amigos vem e vão, homens bonitos, abraços, conversas e a melancolia passa, e lá está a predadora que só quer alguém pra levar embora, e esquecer o que é gostar.
Encontra a amiga e bebe, ri, se diverte e olha. Se ela fosse homem seria tudo mais simples. Escolhe o que a agrada, e derruba a chave na frente dele, pra ele procurar com ela, e levá-lo embora.
Conversaram e ela ri por dentro da nova tática de chegar em alguém novo…
Não deu certo, ainda bem, porque ele ia deixar ela enjoada.
Vai embora, chega no carro e começa a conversar com velhos amigos, que apresentam um amigo em comum, músico,lindas tatoos, e ela lembra de uma recomendação.
Mulheres amigas recomendam bons amantes. E recomendam quando sabem que eles só servem para esse fim.
No dia seguinte ela ia ligar para a amiga agradecendo a dica.
E no dia seguinte também, ia refletir, que a ânsia de agarrar alguém foi culpa de novo daqueles olhos azuis.