Poker e vida

No mundo do jogo existem os vencedores e os perdedores. Os vencedores são os caras que ganham na maioria das vezes e as perdas não são catastróficas. Os perdedores, geralmente são os jogadores compulsivos e perdem sempre, e com algum ganho consegeum perder o dobro no dia seguinte.
Na vida há os perdedores e vencedores também. Os perdedores são os indivíduos que sempre um terceiro fator está fudendo a vida deles. Aposto que vc conhece alguém na sua realidade com essas características: eles são muitos.
O perdedor sempre culpa alguém por seus problemas e dificuldades. O perdedor na vida é um grande incompetente na verdade, e esconde toda a sua incompetência, preguiça, indolência e burrice em uma pessoa que está acabando com ele, em um trabalho que todos conspiram para derrubá-lo, no governo que destrói seus sonhos.
E quando o bode expiatório dos perdedores sai de cena? Vai embora, vira as costas e se dirige para uma nova vida?
O que o perdedor vai alegar para o mundinho a sua volta?? O que o está impedindo agora de ter sucesso?

Depressão? Doenças pré existentes?

O perdedor da vida, é pior que o perdedor do jogo. Ele simplesmente não se movimenta, não arrisca e mesmo assim continua perdendo.

Calma, calmate…Avós odiosos ( pequeno parenteses)

No friozinho, enchí a cara de pizza. Meu pai pediu de um restaurante aqui perto de casa porque tava com vontade de comer a pizza de lá. Tentamos mudar de restaurante para as pizzarias que vendem a 10 reais, já que ele e minha mãe arcam com a despesa de uma casa com dois idosos, sendo uma com alzheimer. Os gastos que eles tem são muitos, com medicamentos caríssimos para retardar a degeneração cerebral de uma cabeça maléfica.

Ele pediu tres sabores de pizzas a seguir: uma inteira de mussarela, calabreza e moda da casa.
Indo para o meu terceiro pedaço de pizza, fui pegar a “moda da casa” , que é a especialidade do restaurante e tem pequenos pedacinhos de presunto picados com cebola cobertos com uma fina camada de mussarela.

Ao mesmo tempo que fui pegar o pedaço, meu avô coloca no prato dele o último derradeiro pedaço. Meu pai percebendo o meu movimento, me diz: – filhinha , a ” moda ” já era…

E imediatamente, pega a metade do pedaço do prato dele para mim. – Não pai – digo- eu pego uma de calabresa. Ele e minha mãe ficam querendo resolver, ela quer pedir mais uma, ele quer me dar o pedaço dele…

E o meu avô, corta calmamente o seu pedaço de “moda” e engole tudinho, como se nada estivesse acontecendo.

Algum tempo atrás eu poderia ficar chateada, mas depois do episódio do chocolate eu já sabia do que o meu avô era feito.

O episódio do chocolate:

Uma das sobrinhas do meu avô sempre dá presentes caros para a nossa família nos finais de ano, um único presente representativo que podemos dividir. Bombons e chocolates finos, cookies amanteigados…esse tipo de coisa.

No final do ano passado, ela presenteia a família com uma caixa de ferrero rocher. Nem é o meu predileto , mas tava afim de comer. Os bomboms sumiram rapidamente e perguntei para todos da casa onde estavam, minha avó com alzheimer falou que tinha no quarto dela. Perguntei para o meu avô que responde que ela está enganada, não tem nada lá (seco).

Insisto mais uma vez, e ele nervoso diz – tá bem tá bem , e diz meu primeiro nome por extenso e me dá um bombom, fazendo uma cara de ódio que me machuca, me estranha, e faz subir a tona, quando le fogne si aprono… e fez subir toda a merda do passado, e entender como eu nunca havia entendido, porque ele colocou na rua, em uma noite de chuva seu próprio filho, sua nora e suas tres netas , eu com 8 anos,e minhas irmas respectivamente com 4 e 3. Devolvo o bombom, e digo obrigada. Um obrigada que ele nunca vai entender o real significado.

Um dia muito legal

Acordo cedo e o sol brilhava no céu muito azul no friozinho de inverno . Saímos eu e meu namorado para levar o carro na oficina. O mecânico, um cara novinho, explica toda a mecanica do defeito do carro olhando para o meu namorado. Começa a me participar das explicações quando começo a fazer perguntas. Esse tipo de coisa sexista não incomoda mais, e partimos, para voltar a pegar o carro talvez no final de tarde do mesmo dia.
Decidimos voltar a pé pra casa, eu ele e Ziza, a poodle ex errante da estrada de Maresias. Andando pelas ruas sujas do Centro de Santos cheia de casas antigas, muitos corticinhos, algumas pintadas e mantendo as características originais ( que eu adoro). Uma dessas, em frente a oficina guardava no arco o ano de 1915…Fico devendo a postagem da foto dela.
Andamos um montão e apesar de estarmos uns 5 km distante de casa, estavamos contentes, andando e conversando, curtindo a caminhada.
Passamos embaixo de uma escada em uma rua no meio do caminho, brincando sobre a má sorte que acredita-se que isso acarreta. No meu quinto passo após passar embaixo da dita escada, um cachorro dentro de um porão late e avança, fazendo eu dar aquele estabanado jogo de corpo , totalmente instintivo quando o susto te pega. Ele começa a rir do meu movimento totalmente ganso, quando a Ziza é levantada por ele para evitar uma poça nojenta e roda , um 360 no ar puxada pela guia da sua coleirinha peitoral. Assim que a Ziza aterrissa, ele tropeça de uma forma desajeitada, fazendo eu dar muita risada e rirmos juntos no final, culpando a sequencia de pequenos infortunios pela escadinha do pintor.
Tem mais 5 km pra contar, continuo amanha na proxima postagem pq agora to com soninho.

Transição

Estou numa fase de transição tão punk que tenho medo de escrever e ficar muito azeda. Estou poupando pensamentos negativos e indignações grandes. Em situações onde o medo domina, a insegurança e a falta de perspectivas rondam o melhor a fazer é:
Respirar fundo, mergulhar e começar a nadar desesperadamente…No final vai ser muito bom…