Sob o sol da Toscana literalmente

As cores, cores, os tons, dourados, amarelo, pêssego dourado, parece que choveu pozinho dourado em tudo. Cores da Toscana, no alto de um morro, onde os poucos moradores não tem internet e não pretendem ter: “ estamos muito bem assim” diz meu primo. As casas muradas de pedras, as janelas de madeira clara dourada e grossa, a voz melodiosa dos moradores…
Nem sei por onde começar, mas vou tentar relatar minha experiência desses dois dias de uma forma caótica, porém tentando retratar a magia do lugar.
Meu tio me fala que o morro está sendo comprado por muitos pintores, escultores e artistas em geral com muito dinheiro e todos gays. Ele associa o cara ter dinheiro com o fato do cara não ter uma família (no spendere soldi). Para mim, é claro pq esses artistas estão aqui, um deles eu conheci faz alguns anos, americano com uma casa divina, que o meu tio construiu, com a estética nata de um italiano toscano. Eles escolheram esse lugar para morar porque são altamente estéticos. Artistas são estetas, e aqui, a beleza é algo muito natural. A luz que bate no muro da casa, as florzinhas que nascem no campo onde le persone colpani, as carrancas toscanas com a boca aberta ou língua de fora, a estética é algo nato desse povo. Quando fui na casa do David na última vez que estive por aqui, notei que ele usava as garrafas de vinho para enfeitar o jardim. Essas garrafas de vinho são gigantescas, abauladas e maravilhosas. O meu tio joga as garrafas no quintal dos fundos, o que não deixa de ser belo mesmo assim, mas o David sabe que elas são lindíssimas, preciosas, são um ornamento super toscano.
Ficar sem internet é algo inquietante! Como é impressionante a dependência, o costume que toma conta da gente.

Eu to fazendo um teste, mais com meus entes queridos, quero ver quanto tempo vai demorar para me procurarem. Ontem de manha ainda falei com o namorado, fizemos um expresso sexo virtual antes ir para a estação de trem em Trieste. Hoje, não falei com ninguém, mas amanha vou dar um jeito de achar uma internet no pé do morro na cada de algum parente perdido, os mais jovens devem ter!!! Bem, se esse texto estiver postado na segunda é pq achei!

Falta de assunto é um caralho!

Hj uma tia querida perguntou se era verdade que o meu ex marido me deixou por outra. Neguinho no Brasil quer ter assunto com o povo daqui e fala da vida alheia. Expliquei polidamente para a minha tia que ele saía com outras sendo casado comigo, e eu decidi romper o casamento.
Se o meu italiano fosse afiado, e o que saísse da minha boca não fosse tão vulgar como o que eu vou falar abaixo seria mais ou menos assim: – Então, fazia uns dois anos que ele não me comia direito, a mãe dele é uma psicopata que assassinou o pai dele e queria sentar no pau do filho a todo custo. Não fazia idéia que ele me chifrava pq tinha muita confiança. Mas ele vinha me tratando muitíssimo mal a muito tempo e em grande parte por causa da mãe dele e também porque estava experimentando bucetas diferentes. Daí, encontrei um cowboy tosco, ignorante, porem com um peitoral de aço, braços torneados de músculo e uma pica grossa e gigante, e que me comia muito bem e conseguia fazer eu gozar com uma mão, foi ele que me contou o que o meu ex marido andava fazendo. Daí eu pensei, sou muito nova pra essa merda toda, então larguei o casamento, larguei o caipira e fui viver minha vida. Ecco!

Compras na Itália

Internada durante 10 dias em uma faculdade de física na frente do mar Adriático, a ultima coisa que esperava encontrar era uma Vogue mega de 2007. Lendo nas horas em que eu ia ao banheiro, minhas poucas horas de folga, achei uma propaganda da H&M. Pirei, se H&M é legal na terra em que a galera não é muito estilo, imagina no berço da moda e estética!
Não deu outra, achei o endereço da H&M em Trieste, e no meu ultimo dia arrastei uma indonesa e uma caribenha para fazer comprar comigo. Vale a pena, comprei peças lindinhas, 1 vestido preto com um corte show, uma casaqueto muito bem cortado,2 saias pretas, cintura alta e lindas e 3 oculos cada um 5 euros ( mais ou menos 15 mangos). Mas o mais louco da compra foi um vestido de paetês a 29 euros, 90 manguitos.
Chegando na Toscana, enquanto esvazio a mala, tia e prima ficam sentadas na minha cama no quarto conversando comigo ( igual brasileiro), e mostro as roupas novas pra minha prima e explico sobre a rede de lojas. Ela dá um pulo e tira o casaco lindo dela e me mostra a etiqueta : H&M! Um cara as quintas na feira de Lucca vendeu esse casaco lindo pra ela por 5 euros!! Bem, pode imaginar o que farei na próxima mercoledi por aqui….Ele deve roubar, sei La deve ser mercado negro… bolsa Gucci coleção passada por 200 euros ( 600 reais) , dolce e gabbana por 10, 25 euros. Minha agenda da semana esta começando a ficar lotada: amanha vou procurar a net e talvez ficar na casa da C., na quarta jantar na C. , na quinta ir na feira de Lucca, na sexta a Viareggio em um bar latino com a D. , no sábado a Montecatini e Pistoia na casa de uma tia e na segunda que vem ir a Firenze.
Uff.

O bom de se viver na Europa
Já apelei pra um monte de coisa p emagrecer. Minha prima, com mais de 40 perdeu 12 kg em um mês, pasme, sem tomar bombinhas e mudando um pouco sua alimentação.
Um médico em Firenze, fitoterápico, que aparece na Rai toda manha é o responsável. Na primeira consulta ele e sua equipe, ficaram mais de 4 horas conversando com ela. A dieta dessa italiana não cortou os carbs como é de se esperar de uma dieta, inclui carbs uma vez ao dia, pasta o pane, e muito minestrone e uma poção mágica cheia de ervinhas que ela tem que tomar o dia inteiro. Ela me garantiu que não passa fome de jeito nenhum e agora só falta mais dois kg per perdere. A pele dela está linda, brilha e parece que ela rejuvenesceu anos. Ela pagou 300 euros para um acompanhamento anual. Meu, vale a pena.
Agora, vado a letto, ansiosa por mais um dia nesse lugar lindo onde a minha querida e adorada bisavó nasceu e que ainda choro de saudades dela. Como vi em um mail esses dias, saudade é amor que fica. Boa noite nonninha…

Vantagens de ter prima italiana é: ganhar calça usada dolce e gabanna e outras coisinhas italianas lindinhas!!

Peguei um jipinho Suzuki e comecei a descida do alto da montanha. Meu, essa galera é insana… Eu não sou cagaço pra dirigir, enfrento transito e motoboy em Sampa, pego estrada, mas essa experiência de hj é remarkable. A estrada é estreita, mão dupla, sem proteção nenhuma e só passa um carro. Entendo agora porque um italiano gigante tem uma carro tão pequenino. As curvas são megafechadas em uma descida íngreme, e em muitos trechos vc não tem visão nenhuma dos carros que possam estar subindo. Nessa hora, me aconselharam, buzine seguidamente! As rodinhas do carro esbarram no abismo e aquela sensação de frio na barriga me visita constantemente ate Valdottavo. Em alguns trechos que dou uma relaxada mínima consigo aproveitar a visão estonteante da Toscana com as casas de pedra e as arvores secas do inverno, o chão cheio de folhas, meu aqui é lugar pra passar a lua de mel e nunca mais voltar!

É difícil quando acontece de palavras tocarem direto no coração, no mesmo minuto que são ditas e te tocarem profunda e docemente e te emocionarem. Hj a S. prima querida me disse: “parece que vc esteve aqui sempre, que nunca foi embora.” Eu respondí, com toda sinceridade do meu coração: eu sinto o mesmo…

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A festa mais globalizada

Pra resumir a festa ontem: vinho delicia e muito barato, muita dança, mas o ápice foi o meu amigo marroquino dançando Cheb Khaled em um estilo arabe, mexendo os quadris e com as mãos pra cima, o mais engraçadão é que todas nós fizemos uma roda em volta dele e ficamos dançando, ficou parecendo harem do Chaki!

Italiano dançando com chilena, uruguaio com italiana, e o momento indignante, foi quando nosso DJ venezuelano colocou uma musica brasileira e todos peditam p eu dançar. Eu falei que aquilo não era musica brasileira, e devido a insistencia dos meus colegas, fui olhar no Ipod que porra era aquela tocando: funk piriguetes.

Whatta fuck!

Mais sonhos loucos

Sonhei com um casal amigo, que haviam acabado de chegar de viagem de Buenos. Estavamos sentados a mesa e ele mostrava a caixa de whisky que ele trouxe, e minha amiga a segurança que ela queria contratar para andar comigo, pq achava que dar aulas em um faculdade é muito violento ( ?)

Outro casal , esse atualmente, ex casal, no sonho ainda estavam juntos e deitados pelados abraçados, o cara de costas p mim enqto minha amiga falava comigo…e eu pensava, pq ela não tá envergonhada de estar nessa situação?

Nesta sequencia, aparece meu namorado que parece triste e desanimado o tempo todo e nosso novo gatinho ( da família toda), em um apartamento sujo e caótico.

Mar azul e gatos

Gatos gordos, muito gordos. Assim são os gatos daqui.
Alguns eu já reconheço e estimei sua área de uso. Andam com aquela banha vagabundinha e gostosa quase arrastando no chão, os gatos italianos devem comer muita coisa gostosa aqui na beira do Adriático… A maioria parece não ter dono, e sim grupos de pessoas que cuidam deles.
Tem dois amigos, muito engraçados que estão sempre na mesma mesa do restaurante juntos, tomando solzinho e olhando o movimento… Um deles tem um olho esbranquiçado. Nesse restaurante feliz, tomei uma taça de vinho com o gato do olhinho esbranquiçado que veio passar o corpão dele nas minhas pernas e deitou um pouquinho do meu lado onde minha mão alcançava a nuquinha dele. Depois, quando fui pagar, não me cobraram pq era dia das mulheres!
Ontem , fui almoçar no alojamento em frente do Mar Adriático, e depois do almoço resolví voltar por dentro do paruqe Miramare, onde não resisti e decidí explorar a area do parque próximo ao castelo. Um gatão marrom veio falar comigo, deu um miadão amigo pra eu falar com ele e ficamos mega amigos. Ninguem enyendeu nada , mas naquela via cheia de arvores estava eu e o gatao sentados no chao, tomando solzinho e conversando e cada vez que eu coçava o final da coluninha dele ele fazia um faniquitinho de reflexo girando a cabeça que nem um louquinho.
Andamos juntos por um trecho, até que uma turma de crianças italianas chegou perto e o gatão se escondeu na matinha…
Nas terraças do castelo, fiquei admirando aquele azul maravilhoso de diversos tons, quando outro gatão a alguns metros de mim caçava. Do nada, ele olhou pra mim, como se fossemos velhos amigos, correu na minha direção e se jogou embaixo das minhas pernas rolando a banha pra la e pra ca, mordendo minha perna e brincando com a minha mão. Outra vez, pessoas passavam e não entendiam a intimidade de uma pessoa com um dos gatões gordos da área.

A confusão no ônibus

O ônibus para em frente ao mar Adriático com o píer cheio de veleiros branquinhos. Eu a minha amiga caribenha subimos no ônibus que está começando a lotar. Um italiano baixinho olha para aquela moça negra usando lentes de contato azuis e diz: Che belli occhi hai!” E literalmente impregna na gente. Minha amiga, morrendo de fome, me avisa que está com medo de passar mal porque se sente fraca.
O ônibus começa a mover, trôpego, lotado, com um tráfico maluco para um sábado.
Nós duas em pé, alguns africanos, nonas italianas sentadas e o italiano baixinho ao nosso lado.
O homem começa a tagarelar, encarnando um guia turístico pitoresco da cidade, e não cala mais a boca.
Fala sobre o Mar Adriático, da composição do mar, do fiume (rio) que chega no mar e o modifica… eu vou suportando aquela situação, começando a ficar com dor de cabeça do falatório naquele ônibus lotado que andava um pouquinho e logo parava. Uma mulher muito bonita com aproximadamente 50 anos , olha com desaprovação o meu amigo falador e dá aqueles bufadinhas típicas daqui. Já que ele não calava a boca, resolvi perguntar sobre um assunto que eu realmente tenho interesse, a passagem da segunda guerra mundial em Trieste e o episódio triste da foiba. Enquanto ele conta com detalhes a tragédia e crime de guerra que ocorreu na cidade, começo a me arrepender de ter perguntado, porque uma senhora muito velhinha sentada na minha frente começa a chorar, e porque o estimulei a não calar mais a boca ever. Sinto uma mãozinha tocando de leve meu ombro e uma vozinha fraca: ” I think I´m starting to loose my consciousness… E minha amiga senta no chão do ônibus, literalmente começando a apagar … Nonnas que eu não havia visto surgem para acudi-la, abanando, enfiando balinhas na boca dela,fazendo o ocorrido se tornar um evento naquele pequena viagem. A mulher bela de 50 anos expulsa o africano sentado a minha frente para dar lugar a minha amiga ( Yes folks, até agora não vi homem nenhum ceder lugar p ninguém por aqui) e começa a brigar com o italiano baixinho falador: “Coitada, também vc fica a chiacherare, chiacherare, chiacherare, chiacherare, o ônibus quente, anda e para e vc a chiacherare, chiacherare, chiacherare, é sua culpa que ela está assim!”
Me senti culpada por ter aturado aquela conversa dele… afinal o que eu poderia fazer? mandar ele calar a boca? mudar de lugar? afinal, ele estava me dando dor de cabeça, eu não tava mais agüentando…Daí sobrou p mim: “ e vc, pq pergunta tanto p ele? “ digo: mas eu queria saber da foiba… A discussão fica globalizada, eu falando em inglês com a minha amiga, a bela mulher reclamando do cara em Frances com o africano, as nonnas falando comigo em italiano, a bela mulher falando em Frances com a minha amiga, eu falando em italiano com ela… e assim vai.
O baixinho desce do ônibus vermelho e indignado e diz: “tem pessoas que não gostam de ouvir a verdade.” A mulher, toda elegante, dá um tchauzinho provocador para ele. Ela começa a conversar com a gente, e ficamos sabendo que ela era crupiê, e vive durante parte do ano em Trieste, parte em Provence e parte em Marrocos.
E a minha conclusão dessa história é : que a gente não deve ter dó de suportar gente chata, ele não teve dó da genta. Minha amiga achou ela “pretty mean”, mas eu me arrependi de não ter cortado, aquele comportamento não é normal.

Foiba

Após a segunda guerra mundial que terminou em 1942, o territorio italiano Venezia Giulia foi dominado pela ex república socialista da Iugoslávia.

Com o bordão: ” morte ao facismo, viva o povo livre ” os eslovenos executaram centenas de italianos daquela região de uma forma horrível, os jogando semi vivos e vivos dentro da foiba, pelados e surrados uns sobre os outros, enterrados vivos. Apenas duas pessoas se salvaram para contar como foi a história, um deles, se jogou dentro da foiba segundos antes do tiro, para assim sair do buraco escalando os corpo de seus amigos mortos.

Para quem gosta de história com eu:
http://books.google.com/books?id=hhD0R8DBr_UC&pg=PA91&lpg=PA91&dq=historia+foiba+de+trieste&source=bl&ots=5WDX1hXe90&sig=ZFdvsUb-SrR87ZMKTAtyy5M2y14&hl=pt-BR&ei=U6O2SdrKOYLM-Abby838Cg&sa=X&oi=book_result&resnum=1&ct=result